quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Saudade de Lucía

Há uns anos antrás, tive uma amiga. Uma grande amiga. Sabe aquelas amigas com as quais se pode contar sempre? Aquelas que nos entendem só no olhar e com as quais podemos falar de qualquer coisa? Pois a Lucía era assim... Uma portubrasinhola perfeita! Portuguesa na alma, brasileira por curiosidade e espanhola de nascença. Uma mistura fascinante e nada além de perfeita!
Nos conhecemos em plena aula de ética no meu primeiro dia de aula em Coimbra. Eu e minhas amigas chegamos atrasadas e ao perceber que éramos estrangeiras, ela se aproximou. Conversamos um pouco e jurávamos que ela era portuguesa (o sotaque era perfeito!) mas ao fim das aulas descobrimos que estávamos diante de uma espanhola das Astúrias - uma princesinha de Astúrias.
No começo, era apenas uma companhia estrangeira com quem eu falava das aulas, das dificuldades com a língua e passava o tempo quando tinha muita saudade de casa. Mas as conversas foram evoluindo, nos encontramos em salas de outras disciplinas e a amizade foi inevitável. Em pouco tempo tempo eu tinha uma amiga de verdade. Estudávamos juntas, almoçávamos, conversávamos muito e reclamávamos. Como éramos reclamonas... Mas tudo passa!
Lembro-me de uma noite de inverno (muito, muito fria) em que fomos juntas a um recital de piano na Biblioteca Geral. Aqueles livros antigos, todo aquele ouro, uma história fortíssima e tão presente naquela universidade... Acho que aquilo tudo nos transportou para outra época, outra dimensão. Um piano tocava longe, uma cantora lírica tocava as nossas almas e nós pensávamos numa época em que tudo era mais suave, mais romântico. Pensamos em nossas vidas, nos fracassos amorosos, em tudo o que estávamos vivendo naquele momento e saímos daquele lugar maravilhoso pisando em nuvens. Fomos a um coquetel na reitoria e o que vimos foi uma noite linda numa cidade de sonhos. Coimbra era isso: a cidade dos sonhos. Uma noite inesquecível onde choramos, sorrimos, exaltamos a vida!
Lucía era uma amiga de loucuras confessas... Uma amiga com a qual eu poderia sempre contar e para quem eu podia dizer qualquer coisa que, por mais que ela se assustasse, nunca me julgaria. Às vezes, nos tranpostávamos para outras épocas. Quando ela estudava português, lia muito Eça de Queiroz. Eu, sempre gostei muito desse autor. Imagina quando descobri que ela morava em Celas? Imediatamente, pensei em Os Maias. Ainda não conhecia Celas e queria tanto ir até lá. Agora tinha um ótimo motivo... Quantas vezes, em nossas loucuras dissemos que estaríamos a caminho de "Os Paços de Celas" onde veríamos cenas como as descritas em Os Maias? Andar por Celas à noite era sempre uma aventura...
Numa noite qualquer de muito frio também (como me lembro do frio...) fomos jantar num restaurante chinês. Comemos crepes e legumes, bebemos cola e minha amiga ficou alterada devido à cafeína... Foi uma noite de muitas brincadeiras, conversas sem nexo algum, muitas risadas e diversão total. Uma noite despretensiosa e mais uma das tantas que passamos juntas e foram inesquecíveis.
Da primeira vez em que eu e a Renata fomos à casa da portubrasinhola, nunca vou me esquecer... Saímos do nosso apartamento com garrafas de vinho na mão e estávamos à espera do autocarro quando um velho nos abordou e disse que àquela hora não haveria mais nenhum autocarro para celas e que se quiséssemos ele nos dava uma boleia. Ficamos com muito medo de sair com ele, mas acabamos indo. Estávamos as duas de saia curta, desde o primeiro momento ele havia percebido que éramos brasileiras e ainda tínhamos garrafas de vinho nas mãos. Era arriscadíssimo, mas nossa amiga amiga nos esperava, éramos duas e ele apenas um velho. Talvez ele até tenha dito alguma coisa, mas não me lembro bem, só lembro de que ele olhava muito para nossas pernas e nós púxamos a saia para baixo a todo instante. Quando avistamos a Cruz de Celas, pedimos que ele parasse o carro e descemos mais do que depressa...
Quando chegamos à casa da Lucía com todo aquele vinho e mais um pouco de leite condensado ("vinho com leite moça é pau na coxa..."), ela até se assustou... Mas acabamos logo com aquilo, deixamos de encontrar com o resto da turma e ficamos a ver novela. Quando acabou a novela e nossa mistura bombástica, não nos restava nada a não ser descer para a Praça da República e beber um pouco mais... Acabamos num café com o Waguinho e o Davi a tomar muitas caipirinhas!!! Mais uma noite louca em Coimbra.
No final do primeiro semestre, estudávamos durante muito tempo para os exames. Isso, nos levava a comer muito! Passávamos na pastelaria, comprávamos um caixa de doces e seguíamos para a casa de Lucía. Conversávamos durante horas sobre nossos desamores, saudade de casa, festas estudantis e quando víamos que o tempo havia voado, começávamos a estudar Direito. Após várias tardes assim, não conseguimos nota suficiente no primeiro exame. Partimos as duas para o exame oral um dia após a divulgação dos resultados. Mais uma passada na pastelaria, mas dessa vez já agarramos direto a Constituição Portuguesa e só largamos quando estávamos acabadas!
Eu fui a primeira a fazer o exame oral. Saí da sala me sentindo uma burra e logo convidei minha amiga para um café. Após uma meia de leite quentinha e um pastel de nata, estávamos prontas para outra! Ela só faria o exame à tarde e por isso estudei com ela mais um pouco e fomos almoçar. Na hora do exame, fiquei na porta orando sem parar e de repente, sai ela de lá também dizendo que não havia ido muito bem. Nos sentíamos duas derrotadas, mas nem por isso deixámos de dizer uma à outra que passaríamos naquele exame... E não é que passamos? Eu não tive coragem de olhar os resultados, mas Lucía olhou e me telefonou com a boa notícia. Tivemos que comer mais doces para comemorar!
Lembro-me de um começo de ano muito frio em que éramos apenas nós em Coimbra... Ela havia voltado do Porto e eu da Serra da Estrela. Não tínhamos nada de dinheiro, mas eu precisava realizar um sonho - ir ao Rally Dakar. Mal tínhamos o dinheiro das passagens e eu estava muito desanimada. Pensava no quanto teria que me sacrificar para ir ao Rally, teria que ir sozinha e passaria o restante das férias sem dinheiro. Chamei minha grande amiga para jantar em minha casa e expliquei o que estava acontecendo. Ela disse que iríamos a Lisboa sim e que seria muito divertido! Eu ainda estava desanimada, mas disse que conversaríamos.
Tomamos muita sangria, rimos, planejamos e fomos dormir. Perdemos hora. Eu disse para continuarmos dormindo, mas ela insistiu e acabamos saindo de casa... Eu não acreditava que estávamos fazendo aquilo! Chegamos a Lisboa na hora da largada. Até conseguirmos informações e chegarmos ao local, era o fim da largada! Caraca, como fizemos essa loucura? Enfim, já que estávamos lá... Nos divertimos feito crianças. Tiramos milhões de fotos, vimos coisas interessantíssimas, passeamos pelo parque. Fizemos um lanche rápido, comemos Pastéis de Belém e seguimos para uma exposição que minha amiga queria ver. Falidas como estávamos ainda conseguimos fazer compras no Metro (sempre que uso minha bolsa, lembro-me daquele dia)! Lucía me levou a uma exposição de um pintor maravilhoso!!! Só me lembro que seu nome era Amadeo... Foi uma tarde mágica. Fizemos coisas que não havíamos planejado, conversamos coisas loucas (só para variar), fizemos compras e voltamos a Coimbra com aquele ar bobo de pessoas felizes...
Por um tempo, andei ocupadíssima juntando dinheiro para minha viagem e não dei tanta atenção para minha filhinha, minha florzinha, minha linda... Foi o meu período mais triste em Coimbra! Eu só estudava e trabalhava (mais trabalhava do que estudava) e não tinha pique para mais nada. Estudava de 8h às 13h e trabalhava das 13:30 às 23h, sábados, domingos e feriados... Não tinha tempo nem de me olhar no espelho! Engordei, deprimi, me afastei e sofri. Um tempo que eu não gosto de lembrar, mas que me permitiu realizar outro sonho: viajar pela Europa. Sei que os amigos entenderam e aceitaram e isso me deixa tranquila, mas queria muito ter vivido um pouquinho mais com minha amiga...
O tempo passou, a distância é enorme, a saudade esmagadora, mas as lembranças são as melhores... Não sei se um dia voltarei a ver Lucía, sei que aquela foi uma amiga de verdade, uma amiga muito importante e na época mais importante e feliz da minha vida. Uma época em que eu podia ser quem eu quisesse, do jeito que bem entendesse e não precisava me preocupar. Sempre lembrarei dessa época e principalmente de Lucía... Para sempre, minha filha!!!

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Perdida...

Estou um pouco perdida... Ai, é horrível essa sensação de impotência que sinto, essa coisa de quem andou desgovernadamente , viu coisas e mais coisas mas não se encontrou, não entendeu o que quer e nem os motivos do querer. Me sinto tão perdida e penso tanto no quanto estou perdida, que não consigo sair do lugar, tomar uma atitude mais concreta! Estou imóvel, irritada com isso e não sei como sair dessa.
Como administrar tantos sonhos? São muitos desejos, muitas curiosodades, ambição, sede, loucura, perdição. Penso em música, arquitetura, cinema, beleza, viagens, festas, curtição, mosteiro, rendição. Quero fazer tudo e ao mesmo tempo, nada. Fico inquieta, mas quero paz, isolamento. Me sinto só e quero amigos, mas quandos estes aparecem, não tenho paciência. Quero ser uma pessoa normal, com uma vida comum, com pensamentos tranquilos. Não, não, não. Quero tormenta, quero uma vida cheia, quero diversão e arte.
Não sei o que quero, o que sou, para onde vou... Não sei e talvez não queira saber. Quero loucura, quero paixão, acontecimentos fascinantes, belezas estonteantes e um horizonte cheio de sol. Talvez sim, talvez não. Vai saber o que quero? Às vezes pouco, às vezes muito, às vezes nada. Não quero nada! Vida, vida, vida.
Outro dia fui ao cinema e me emocionei. Li um livro de José de Alencar e chorei feito criança. Ouvi Adriana Calcanhoto e quis chorar, mas as lágrimas me faltaram. Vi um editorial da Vogue e achei a coisa mais linda do mundo. Assisti Bob Esponja com meu irmão e morri de tanto rir. Brinquei com meu cachorro e vi que ele não sabe nada, mas está crescendo. Vi uma mendiga se penteando enquanto via seu reflexo na fachada do Palácio das Artes. Vi as cicatrizes de uma cirurgia recente diminuírem. Vi um jasmim brotando debaixo da janela. Senti a presença de Deus enquanto me perguntavam: "O que você quer que Deus faça por você?". Vi, senti, ouvi... tantas coisas que não sei o que pensar, não sei o que ser, não sei o que querer.
Sei que está muito difícil viver... Força! É tudo o que preciso.

terça-feira, 30 de junho de 2009

Quero ser feliz...

Após alguns anos de expectativas, conhecimento, muito pensar e fazer, me formei. Para alguns, poderia ser a glória, mas eu não achei isso não. Perdi meu emprego, passei a ter dúvidas muito mais complexas e fiquei sem chão. Durante 5 anos (4 de faculdade e 1 de intercâmbio) fui estudante de Relações Públicas e depois desse tempo, me tornei uma desempregada. Mais uma entre os milhões de brasileiros.
Durante a faculdade, tentei esquecer que eu era maquiadora. Não sei bem o motivo, mas achava que era algo passageiro, que havia feito os cursos apenas para agradar minha mãe (que é cabelereira), que nunca seria minha profissão. Apesar de sempre ter me mantido bem com esse trabalho, não o considerava "meu" trabalho. Era mais uma diversão, uma forma de descolar uma grana para bancar os meus mimos. Tinha meus estágios, morava em outra cidade e maquiava apenas nos finais de semana em que não tinha outros compromissos. É certo que atendi pessoas maravilhosas e fiz trabalhos muito legais, mas nunca pensei em levar isso a sério. Na verdade, não tinha muita segurança também.
Pouco antes de formar soube de um garoto que estava tentando montar uma revista em BH. Público jovem, assuntos interessantes, idéias legais. Me vi empolgada com o projeto e logo me ofereceria para entrar de sócia naquela empreitada. Eis que hoje sou sócia de uma revista que será lançada em agosto e que não faço a mínima idéia de como será recebida pelo mercado. Talvez eu possa dizer que sou empresária ou invés de desempregada!
Formada, desempregada (ou empresária), fazendo mil cursos de maquiagem e pensando em ser realmente maquiadora! Quem diria... Eu que nunca havia me sentido à vontade para dizer aos outros que era maquiadora, estou totalmente disposta a me empenhar e assumir os meus quase 11 anos de atuação na área. Agora, fico pensando se isso pode dar certo. Talvez sim, uma vez que me sinto muito mais segura e disposta a tentar. Por outro lado, nunca trabalhei com isso em outro lugar que não fosse o salão da minha mãe. Vou pensar mais um pouco. Será que é isso que eu quero?
Nunca quis trabalhar com coisas tradicionais. Nunca pensei em trabalhar no departamento de comunicação de uma grande empresa, sempre quis ter liberdade, flexibilidade, criatividade. Pensei em trabalhar com marketing esportivo. Amo esportes, queria trabalhar com futebol e até cheguei a olhar um mestrado na Universidade do Porto. Acho que por enquanto isso está suspenso! É um mercado fechado, não conheço ninguém e não quero continuar desempregada por tanto tempo. Pensei em trabalhar com moda e até tentei, mas foram tentativas frustrantes. Ouvi por duas vezes que tinha os conhecimentos necessários, mas me faltava experiência. Bom, acho que se ninguém me der a oportunidade, nunca terei essa tal de experiência!
Por que não ser maquiadora? Minha mãe me fez estudar e ter essa profissão pois, segundo ela, sempre haverá demanda para pessoas que realmente entendam de beleza. Acho que minha mãe estava certa afinal, desde os 15 anos trabalho com isso e nunca fiquei sem dinheiro. Claro que ao trabalhar esporadicamente deixei de ganhar mais dinheiro, mas sei que sempre trabalhei o suficiente. Hoje o dilema é outro.
Quando me formei e passei os primeiros meses desempregada, tive que largar toda uma vida para correr atrás de outra. Voltei para a casa dos meus pais (no interior), me voltei apenas para o salão e agora preciso partir. Sei que enquanto estiver aqui, a profissão será apenas uma forma de sobreviver e não é isso o que eu quero. Preciso viver. Quero trabalhar todos os dias (ou pelo menos na maioria deles), ter minha casa, minha vida, meus amigos de volta, e tudo o que deixei para trás.
Quero ser feliz.

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Momentos de Decisão

Passar o dia ao lado da minha mãe. Arrumar os cabelos, maquiar-me com tempo, tomar um banho quente, me arrumar com calma. Vestido longo, sandália rasteira, carteira de festa, chamar as pessoas. Estou pronta. Podemos ir à Missa de Formatura. Ritual meio sem sentido, mas que as pessoas gostam. Agradecer a Deus, agradecer aos pais.
Ser deixada em casa, sozinha. Retoque na maquiagem, cabelos, ligar para os amigos e sair. Correr à noite pelas ruas de BH. Isso é tão bom! Já não corro, ando. Sinto a batida da cidade, me sinto parte dela, sinto alívio, paz, tranquilidade na alma. Será que foi a missa? Bar, amigos, bebidas... Ai que bom compartilhar! Conversas banais, filosóficas, uma pequena discussão, vamos para outro bar? Ficam apenas os bons! Outra rodada de cerveja. Que tal uma de tequila? A outra foi do quê? Talvez seja hora de voltar para casa. Já me formei? Acho que não... Foi só a missa.
Passar a túnica preta, comprar uma meia fina, lustrar os sapatos, escolher um vestido preto, fazer as unhas e esperar o tempo passar. O tempo passou, é hora de arrumar o vabelo, cumprir o ritual de maquiagem, entrar no vestido, calçar meias, sapatos, colocar um par de brincos, ligar para o táxi e sair. Fazer tudo sozinha... Será que as coisas deveriam ser assim? Talvez.
Auditório, amigos, sou a primeira da fila. E se eu cair? Posso errar? Ai, que vontade de sacanear! Não tem jeito. "Siga a garota do cerimonial". Não aguento mais ouvir isso. Vestir a túnica, prender a faixa, pegar o capelo. Fotos, fotos e mais fotos. Para que tantos flashes? Estou ficando cega. Não aguento mais, pode entrar? Ainda não. Mais fotos, mais fotos. Ai, agora é hora de organizar a fila. Sinto-me no primário. Fila formada e eu parada em frente aquela porta enorme do auditório. Hora de entrar. "Siga a garota do cerimonial, siga a garota do cerimonial". Ai, chegamos ao palco. Pode sentar? Ainda não. Tem que esperar todos acabarem de entrar. Agora sim, pode sentar. Mais flashes. Fala um, fala outro, tem mais um! Hora de pegar o canudo! Mentira. Tem que cumprimentar toda a mesa primeiro. Abraçar as pessoas que foram mais importantes ao longo da minha formação. Isso é bom! Mais fotos. Vou ficar cega de verdade! Tropecei na escada. Falei que as fotos iam mne cegar! Agora é só sentar e esperar todos. Ai, juramento. Nossa, que legal. Será que faremos tudo isso? Espero que sim. Agora entendi o sentido de tudo isso. Opa! Vento, chuva de papel, balão e não sei mais o quê. Ih... acabou.
Cumprimentos, fotos e mais fotos, abraços (isso é bom), perspectivas, sonhos, ilusões, cabeça longe. Agora sou uma Relações Públicas. Será que terei competência para trabalhar? Amo tanto a minha profissão que estou até aérea. Não vejo as pessoas. Elas conversam comigo e eu só consigo dizer monossílabos. Acho que quero ir embora. Abro o canudo e não há uma carta dentro. Uma carta do conselho me chamando para me filiar. Ops, sou uma nova profissional. Será que foi uma mágica?! Outro dia eu era estagiária, pouca coisa aconteceu e virei profissional. É... foi um dia especial. Pessoas, sou uma Relações Públicas! Obrigada mãe, pai, tias, irmõas, amigos. Não sei mais o que digo. Quero pensar. Briga, seguranças, convidados, fecham as portas. Ai, meu Deus! No dia da minha formatura as pessoas resolvem brigar! Ai, acho que passou. Agora as portas se abrem e as pessoas podem ir embora. Um segurança brigou com um convidado. Ainda bem que passou. Vamos embora. Minha família já ficou nervosa e a briga já está começando no nosso carro também. Ainda bem que ficarei na minha casa!
Chego em casa e o apartamento está escuro. Ai que delícia! Estou sozinha. Deito na minha cama e admiro o céu de BH. Foi um dia especial. Num passe de mágica me transformei em profissional. Tive uma noite emocionante e estou sozinha em casa. Ai, começo a entristecer. Estou sozinha pois todos saíram com as famílias para comemorar. Minha família está na estrada. Os parentes estão cansados e a cerimônia acabou tarde. E eu com isso? Quero o meu pai e a minha mãe! Não adianta. Eles já estão na estrada e só me resta perdoar. Tira o vestido, veste a calça jeans, camiseta, chinelo. Um minuto e estou na rua. Correr pela cidade? Acho que não. Vou ao McDonald's (ainda bem que é 24h). Um menu do Cheddar para levar. Volto para casa com o pacote nas mãos. Nada mais importa. Vivi tantas coisas e agora sou uma Relações Públicas.
Casa dos pais. Salão da mãe. Rituais de beleza. Higiene. Roupas. Os convites estão na mão? Está frio. Discussões de família. Stress. O relógio não para. Cadê o Vinho do Porto? Era para a formatura. Energético, vodka, gelo. A van já chegou. Todos acomodados? O baile vai começar. Flashes, flashes e mais flashes. Sorrisos. Que lugar lindo! Festa de bom gosto. As amigas chegaram. Copos, copos e mais copos.Beijo. Proibido. Briga, stress, confusão. Cada resolva o seu problema. Celebrar. Música, dança, bebida, curtição. Pai. Brigas, bebidas, humor. A noite é de festa. Todos para a pista e só me chamem quando o sol raiar. Hora de ir embora? Já amanheceu? Nem vi. Foi uma festa perfeita até nos problemas.
Bom, formei! A hora das decisões chegou. Será que formar muda alguma coisa? O emprego vai aparecer após essa semana mágica? Agora sou uma Relações Públicas. Acho que não queria ser nada. Apenas trabalhar. Ser feliz. Ter amigos. Quero ser tudo e nada ao mesmo tempo. Quero viver!

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

O olhar...

Ele me olhava com afeto... Eu fingia que não percebia, mas aquele olhar insistente me deixava sem graça. Era um olhar forte, amoroso, desafiador e doce, muito doce. Sentir aquele olhar me fazia feliz. Saber que era capaz de despertar tudo aquilo em alguém, em um homem de verdade, fazia com que eu me sentisse especial.

Eu era apenas uma adolescente. Egoísta. Queria viver tudo ser tudo. Não estava pronta para embarcar num sentimento daqueles. Ignorei. Fingi que não percebia aquele olhar e me afastei. Em minha cabeça, tudo dizia que era possível brincar um pouco, me divertir. Topei o desafio. Mas era ilusão. Não dava para brincar assim, não dessa vez.

Ele entrou no jogo e isso fez o interesse aumentar. Eu comecei a me divertir e a gostar de tudo aquilo. Olhares, palavras não ditas, sorrisos... Nada de tão importante aconteceu, apenas o pior. Ele percebeu que eu só queria brincar, mas àquela altura, já estava apaixonada! Já não era possível voltar atrás, parar tudo e me mostrar de verdade, sem joguinhos infantis. Era tarde demais. Eu estava apaixonada e ele pensou que eu só queria me divertir e se afastou.

Uma vez apaixonada, não tinha mais jeito. Ele não quis nem ser meu amigo. Permaneci solteira. Solteira na alma. Toquei a vida, quis fingir que não era nada e resolvi continuar. De repente, vi que não dava mais para conviver com aquilo. Vê-lo sempre e não poder chegar perto, olhar para ele e não receber de volta aquele olhar que tanto me fazia feliz. Mudei de cidade, de vida, de país. Nada adiantou. O sentimento só fez crescer. A distância só fez com que ele parecesse a cada dia mais perfeito, mas o tempo passou.

Hoje, ele é um homem beirando os 40 e eu, uma jovem de vinte e poucos anos. Estou de volta, às vezes nos vemos e ele vai se casar. Não, não é comigo. Será com uma boa mulher, uma mulher de verdade. Ele se aproximou de uma velha amiga e agora formarão uma família. Tentei tantas vezes despertar aquele olhar, busquei tanto, sonhei com isso, mas o tempo passou e tudo aquilo ficou lá, no passado.

O amo tanto... Tudo o que eu mais queria era sentir aquele olhar sobre mim mais uma vez. Mas o tempo passou, aquele sentimento ficou para trás e eu fiquei vivendo de passado. De um passado muito lindo e que me trouxe coisas boas. De um passado que me fez querer amadurecer, que me fez ser o que sou hoje.

Não posso mentir e dizer que só vivi para esse amor. Não posso dizer que não vivi que sofri e sofri. Vivi bem. Fiz tudo o que quis e até o que não quis. Cometi loucuras, conheci homens bons, me apaixonei perdidamente, viajei por lugares fantásticos, errei muito e aprendi com tudo de bom e ruim que vivi. Conheci pessoas importantes e algumas que passaram e não farão falta, tive uma vida boa, cheia de riscos e aventuras. Diria que não tenho do que reclamar, mas seria mentira. Se não tenho mais aquele olhar que despertava tantos sentimentos confusos ao mesmo tempo em que me dava paz, tenho do que reclamar! Quero sentir aquele olhar, preciso daquelas sensações, mas tudo se perdeu.

A vida é assim... É preciso fazer escolhas, errar e acertar. Eu escolhi a inquietação, escolhi uma vida que eu não sabia o que era, uma vida que eu não conhecia e tinha sede de viver. Acabei escolhendo um amor platônico, a solidão. Ele escolheu um amor real e o buscou em quem lhe deu uma oportunidade. Agora, ele terá uma família. Que eles sejam felizes! Eu lembrarei sempre daquele olhar e sinto-me feliz por um dia ter visto que ele era só para mim. Um olhar tão doce...

domingo, 16 de novembro de 2008

Trance em BH

Caraca, a única edição da Creamfields no Brasil, foi em BH! Ponto pra nós que a cada dia temos a oportunidade de freqüentar eventos melhores e confirmamos nossa posição de “melhor dance floor do Brasil”. Com certeza foi um dos melhores eventos do ano. Eu iria cobrir, mas devido alguns probleminhas, acabei como convidada.

Nessa minha fase de falta de paciência para festas e afins, acabei passando a curtir mais as trances de BH. Pode parecer estranho, mas vou explicar: minha falta de paciência para eventos sociais acontece porque não sou lá muito sociável. Não tenho paciência para conhecer pessoas que nos abordam durante eventos, não gosto de ver o quanto esse mundo está perdido e não suporto o clima de pegação que impera em certos eventos. Ai, acho que estou ficando velha mesmo! Já nas trances, a maior parte da galera quer mesmo é curtir o som de seus Dj’s favoritos e dançar, dançar, dançar. Há uma energia boa nessas festas e sinto que realmente as pessoas sentem-se bem. Claro que muitas pessoas usam drogas, fazem loucuras e talzs, mas cada um fica na sua e isso me faz sentir bem.

Ao chegar, dei uma rodada pela festa pra sentir o clima, ver a estrutura e sentir o clima dos ambientes. Mas acabei ficando praticamente todo o tempo na Arena Dimitri & Friends. O som foi dos melhores. Galera animadíssima, cada um na sua, clima perfeito e música boa. Energia maravilhosa. Todos os Dj’s eram muito bons. Quando o dono da arena inicia seu set, ai, ai... Delirei. Foi perfeito. Seguido de Infected então, não tinha como reclamar de nada a não ser do cansaço.

Talvez eu tenha sido uma das poucas pessoas que preferiram ficar sóbrias e curtir o som de verdade, com toda a alma. A maioria pensa que para curtir de verdade é preciso tomar balas, doces e afins... Fazer o quê? Cada um na sua. Às vezes me assusto com o uso que é feito dessas drogas, mas cada um sabe o seu tempo e mais cedo ou mais tarde essa fase passa. Passa pra todos. Consciência é tudo.

Há muito preconceito com esse tipo de evento que muitas vezes é visto como uma reunião de malucos, mas não. È apenas um encontro de pessoas que curtem música eletrônica e têm prazer em sentir a música, dançar com a alma e que sabem o significado real da palavra diversão.

Creamfields Brasil 2008 – um dos melhores eventos de BH!

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Vida Real?

Alguma vez você parou para pensar na sociedade em que vivemos? Uma sociedade em que nada pode. Não pode ser pobre, não pode ser diferente, louca, descabelada, feia, gorda... Só se pode ser igual, hipócrita, sexy, saudável, conformada! Será que é assim? Será que é isso mesmo? Não sei... Às vezes me sinto deslocada e que vivemos num mundo de mentiras, mas em algumas ocasiões sinto que não, que a vida realmente é assim.

Não agüento mais julgamentos, hipocrisias, esses ideais impossíveis de se alcançar. Quero ser quem eu quiser, me encaixar no que me apetece, me cuidar por achar que isso é importante, sorrir quando tiver afim, conversar com quem eu quiser, não ter que dar explicações, não ser obrigada a ser feliz. Ter opiniões é a cada dia mais difícil.

Reclamo dessa sociedade, dessa vida, mas não sei como mudá-la. Às vezes, não quero fazer parte, tento ignorar tudo à minha volta, mas talvez essa não seja a solução. Criar um universo particular não é solução pra nada! Você se fecha em um universo, em um mundinho fabricado e os problemas continuam lá, no “mundo real”. Não sei o que fazer, como agir, mas sei que algo precisa mudar. Se você souber como fazer alguma coisa, me avisa!!!