domingo, 16 de novembro de 2008

Trance em BH

Caraca, a única edição da Creamfields no Brasil, foi em BH! Ponto pra nós que a cada dia temos a oportunidade de freqüentar eventos melhores e confirmamos nossa posição de “melhor dance floor do Brasil”. Com certeza foi um dos melhores eventos do ano. Eu iria cobrir, mas devido alguns probleminhas, acabei como convidada.

Nessa minha fase de falta de paciência para festas e afins, acabei passando a curtir mais as trances de BH. Pode parecer estranho, mas vou explicar: minha falta de paciência para eventos sociais acontece porque não sou lá muito sociável. Não tenho paciência para conhecer pessoas que nos abordam durante eventos, não gosto de ver o quanto esse mundo está perdido e não suporto o clima de pegação que impera em certos eventos. Ai, acho que estou ficando velha mesmo! Já nas trances, a maior parte da galera quer mesmo é curtir o som de seus Dj’s favoritos e dançar, dançar, dançar. Há uma energia boa nessas festas e sinto que realmente as pessoas sentem-se bem. Claro que muitas pessoas usam drogas, fazem loucuras e talzs, mas cada um fica na sua e isso me faz sentir bem.

Ao chegar, dei uma rodada pela festa pra sentir o clima, ver a estrutura e sentir o clima dos ambientes. Mas acabei ficando praticamente todo o tempo na Arena Dimitri & Friends. O som foi dos melhores. Galera animadíssima, cada um na sua, clima perfeito e música boa. Energia maravilhosa. Todos os Dj’s eram muito bons. Quando o dono da arena inicia seu set, ai, ai... Delirei. Foi perfeito. Seguido de Infected então, não tinha como reclamar de nada a não ser do cansaço.

Talvez eu tenha sido uma das poucas pessoas que preferiram ficar sóbrias e curtir o som de verdade, com toda a alma. A maioria pensa que para curtir de verdade é preciso tomar balas, doces e afins... Fazer o quê? Cada um na sua. Às vezes me assusto com o uso que é feito dessas drogas, mas cada um sabe o seu tempo e mais cedo ou mais tarde essa fase passa. Passa pra todos. Consciência é tudo.

Há muito preconceito com esse tipo de evento que muitas vezes é visto como uma reunião de malucos, mas não. È apenas um encontro de pessoas que curtem música eletrônica e têm prazer em sentir a música, dançar com a alma e que sabem o significado real da palavra diversão.

Creamfields Brasil 2008 – um dos melhores eventos de BH!

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Vida Real?

Alguma vez você parou para pensar na sociedade em que vivemos? Uma sociedade em que nada pode. Não pode ser pobre, não pode ser diferente, louca, descabelada, feia, gorda... Só se pode ser igual, hipócrita, sexy, saudável, conformada! Será que é assim? Será que é isso mesmo? Não sei... Às vezes me sinto deslocada e que vivemos num mundo de mentiras, mas em algumas ocasiões sinto que não, que a vida realmente é assim.

Não agüento mais julgamentos, hipocrisias, esses ideais impossíveis de se alcançar. Quero ser quem eu quiser, me encaixar no que me apetece, me cuidar por achar que isso é importante, sorrir quando tiver afim, conversar com quem eu quiser, não ter que dar explicações, não ser obrigada a ser feliz. Ter opiniões é a cada dia mais difícil.

Reclamo dessa sociedade, dessa vida, mas não sei como mudá-la. Às vezes, não quero fazer parte, tento ignorar tudo à minha volta, mas talvez essa não seja a solução. Criar um universo particular não é solução pra nada! Você se fecha em um universo, em um mundinho fabricado e os problemas continuam lá, no “mundo real”. Não sei o que fazer, como agir, mas sei que algo precisa mudar. Se você souber como fazer alguma coisa, me avisa!!!

Coisas que podem acontecer...

Maria Letícia tinha sido uma adolescente rebelde. Havia curtido todas as oportunidades que a vida lhe oferecera e, aos 28 anos, não se arrependia de nada o que havia feito. Investiu em todos os sonhos que julgava importantes, viajara o quanto quis e o seu dinheiro havia permitido e hoje era dona de seu restaurante e vivia muito bem. Sentia falta de algo, mas sua vida era equilibrada.

Aquela jovem já havia morado em Berlim, Londres, Nova York, Paris, Milão e viajado para lugares inimagináveis. Enquanto estudara em Berlim, começou a modelar. Com a grana que ganhava como modelo, viajou o mundo. Cansou da vida de modelo e de não poder comer nada e embarcou numa viagem com uns amigos músicos trabalhando como roddie e às vezes quebrando o galho como backing vocal. Cansou da vida na estrada decidiu fixar residência em Paris. Estudou francês, se apaixonou por gastronomia e resolveu estudar um pouco. Engordou os 12 quilos mais felizes de sua vida. Apaixonou-se por um americano e lá foi ela para Nova York. Trabalhou num restaurante badaladíssimo e com o fim do romance voltou ao Brasil e depois de ralar muito, conseguiu montar seu próprio restaurante.

Havia três anos que Maria Letícia estava no Brasil e seu restaurante ia muito bem. Já era um dos melhores do Rio de Janeiro, vivia cheio de pessoas interessantes e até algumas celebridades. Sua vida se resumia a dar o seu melhor no restaurante, sair com os amigos, viajar pelo mundo em busca de aventuras e só. Parecia uma vida perfeita e muitos até a invejavam, mas ela queria mais. Ela sempre sentia que faltava algo, que ela precisava ter outra coisa a que se dedicar, mas não conseguia saber o que era isso que faltava.

Enquanto passava férias em Barcelona e via aqueles monumentos maravilhosos, ela pensava em sua vida pessoal e via o quanto havia investido no profissional e esquecido de seus sentimentos. Ela que queria tanto ter um filho antes dos 30 anos, se via solteira aos 28 e sem nenhuma perspectiva de futuro nessa área. Refletindo sobre tudo o que já vivera e na forma como tinha enfrentado todos os obstáculos que cruzaram seu caminho, ela percebeu que talvez fosse possível ter um filho sozinha.
Ok, ela teria um filho. Mas seria melhor adotar ou partir para uma produção independente? Ela achava que a adoção seria uma boa e talvez até mais fácil, mas não queria abrir mão de sentir o que era gerar uma criança, curtir uma gravidez. Pronto! Ela engravidaria e criaria seu filho sozinha. Mas como arrumar um pai sem levantar suspeitas? Ela pensou por um tempo e resolveu que teria que planejar tudo com muita seriedade.

Maria Letícia resolveu esperar um tempo para amadurecer a idéia da gravidez e pensar na melhor forma de fazê-lo. Após alguns meses, ela recebeu um e-mail de um ex-namorado alemão dizendo que iria passar férias no Rio e queria revê-la. Pronto. Ela tinha o futuro pai de seu filho. Agora era só esperar a chegada de Michael e se preparar. Ele ficaria dez dias no Rio e a convidou para passar mais dez dias no Chile. Claro que ela topou.

Nos primeiros dias de Michael no Brasil, Maria Letícia se sentia muito constrangida com a situação e mal por estar com aquele homem só pensando em ter um filho enquanto ele realmente curtia todos os momentos. Ela pensou em desistir, mas quando parou de se preocupar, começou a gostar da companhia e a se divertir também. Havia muito tempo que ela estava solteira e não curtia as delícias da vida a dois. Quando chegaram no Chile, ela já havia esquecido seu propósito inicial e estava completamente apaixonada. Mas após os dias perfeitos naquele país, era hora de Michael retornar a Munique e Maria Letícia se via mais uma vez sozinha no Rio de Janeiro. Ela não engravidou, mas teve dias maravilhosos ao lado daquele ex que ela já nem lembrava que existia.

Dois meses depois, ela foi convidada para ir à França dar um worshop de comida brasileira. Claro que ela entrou em contato com Michael e o convidou para passar um final de semana com ela em Paris. Lá foi ela, toda apaixonada e empolgada com seu affair. Foi uma semana perfeita. Ela trabalhou por 3 dias, passeou bastante e no final teve a deliciosa companhia de Michael. Tudo estava tão perfeito que ela pensava que algo de errado acabaria acontecendo. E aconteceu mesmo. No último dia, Michael lhe contou que estava para se casar na Alemanha e que não poderia mais encontrá-la. Revoltada, ela o expulsou do hotel e de sua vida. Maria era muito orgulhosa e mesmo de coração partido, não faria parte daquela palhaçada. Voltou para o Rio e mergulhou com todas as forças ao trabalho.

A vida voltou ao normal e tudo parecia perfeito na vida de Maria Letícia. Ela estava feliz com seu restaurante, seus amigos e agora dava aulas numa faculdade de gastronomia. Seu tempo era todo ocupado e parecia que nada lhe faltava. Até que um dia ela passou mal na faculdade e, no hospital, recebeu o seguinte diagnóstico: gravidez.

O mundo deu uma volta completa e ela queria descer. Grávida? Logo agora? Ela não sabia o que fazer. Sem dúvidas aquele filho era do Michael e ela que havia sofrido tanto por causa dele, não sabia como enfrentar aquela situação. Depois do choque inicial, ela viu que não adiantava se desesperar. A realidade era de uma gravidez não planejada e ela precisava de equilíbrio para tocar a situação. Ligou pra Michael algumas vezes e tentou falar sobre a gravidez, mas sempre desistia. Resolvera que aquele filho seria dela, só dela e que seriam muito felizes.

Hoje, Maria Letícia chegou aos tão temidos 30 anos, tem um filho lindo que se chama João, namora um surfista gatíssimo e está prestes a inaugurar seu terceiro restaurante. Nunca mais ouviu falar do Michael e sabe que a decisão de ter um filho foi a melhor que poderia ter tomado. Sente-se realizada em ser pai e mãe e não sente mais aquele vazio, aquela inquietação que tanta a incomodava.

Uma mulher pós-moderna

Como toda mulher pós-moderna, Regina tentava virar mil para cumprir uma rotina de trabalho, cuidar das filhas pequenas, do marido e ainda manter-se bela. Quanto pensava em quantas coisas tinha para fazer durante as poucas horas de um dia, ela não acreditava que era possível fazer tanto. Dedicar-se ao seu trabalho de Diretora de Criação numa grande agência de publicidade era algo que ocupava um tempo tão grande que muitos não conseguiriam fazer nada além daquilo, mas Regina não só fazia isso como também levava as crianças à escola, ajudava nas atividades para casa, coordenava a empregada, cuida de si e ainda curtia Eugênio – o melhor marido de mundo.

Regina era uma mulher dessas que faz mil coisas ao mesmo tempo e faz todas com uma dedicação profunda. Sempre fora uma profissional dedicada e isso levou-a a tornar-se sócia de uma das agências mais respeitadas do país. Enquanto a agência crescia, o romance com Eugênio – um modelo lindo e dez anos mais novo – se desenrolava da melhor forma possível. Depois de um ano curtindo momentos inesquecíveis juntos, ela engravidara e após muita insistência de Eugênio, eles se casaram e foram tocar a tão sonhada família. Após cinco anos e duas filhas lindas, Regina começava a se sentir cansada.

Regina era feliz, muito feliz, mas às vezes se perguntava se aquela rotina tão corrida fazia algum sentido. Com um marido bonitão como Eugênio, ela se esforçava muito para estar sempre linda e isso exigia certo esforço. Ela já estava com 46 anos e aparentava 30! Investia nos tratamentos mais modernos de estética, malhava duas horas por dia e cogitava uma cirurgia plástica. Por mais que dissessem que ela era linda e que não precisava mexer em mais nada, ela continuava em busca das novidades do mercado. Como Eugênio trabalhava no meio de mulheres estonteantes, Regina não admitia não se igualar a elas.

Ao ser convidada por Paula, sua companheira de Yoga para participar de um retiro de meditação, Regina se esquivou e disse que essa não era a onda dela. Afinal, passar uma semana no meio de nada, apenas meditando não combinava com aquela mulher que era tão dinâmica. Mas ao chegar em casa e comentar com Eugênio sobre o convite absurdo que sua amiga fizera, ele disse que seria uma boa para ela que estava tão acelerada e segundo ele, não relaxava nunca e precisava de um pouco de tranqüilidade para desenvolver melhor os relacionamentos pessoais. Essa noite, Regina não dormiu pensando no comentário de Eugênio e no quanto ela se sacrificava para manter certo equilíbrio naquela família.

Assim que acordou, Regina telefonou para Paula, pegou informações sobre o tal retiro e resolveu que poderia ser uma boa. Dessa forma, ela começou a se animar e pensar que poderia não ser tão ruim e que na pior das hipóteses, ela pelo menos teria um tempo que seria só dela. Ligou para Eugênio, falou que resolvera ir para o retiro, combinou com a empregada a rotina da casa durante a sua ausência e se pôs a organizar tudo.

Assim que chegou ao retiro, Regina estranhou a simplicidade do local e a falta de confortos, mas falou pra si mesma que aquilo seria pouco perto dos benefícios. Quando consultou os horários e descobriu que as atividades começavam às 5h da manhã, ela teve vontade de voltar correndo para casa. Mas Regina não era de desistir de nada e, já que havia decidido participar do retiro, iria até o fim.

No início, ela não conseguia meditar, sua mente continuava a mil e ela achava tudo aquilo um tédio. Mas as atividades foram se intensificando, palestras interessantes acontecendo e no terceiro dia ela já se sentia em casa naquele lugar. No quarto dia ela já conseguia esvaziar a mente e conseguia meditar. Nem ela acreditava em tudo aquilo que vivenciava. Quando acabou o retiro, Regina se sentia extremamente leve e até um pouco desanimada de voltar para aquela rotina de loucura. Mas a vida real continuava e agora ela teria que tentar conciliar tudo o que aprendera com o que costumava viver.

Assim que chegou em casa e recebeu uma chuva de beijos de suas garotinhas, Regina até se esqueceu das sensações ruins que havia pensado que teria na volta à vida. Eugênio havia cuidado de tudo com muito carinho e, naquele dia, aparentava mais lindo ainda e tinha tanta saudade dela que aquela vida nem parecia tão ruim assim para ela. Mas ao voltar para o trabalho ela começou a pensar em como mudar tudo aquilo. Não dava para continuar naquela loucura.

Buscando não só o seu bem-estar, mas o das pessoas que conviviam com ela, Regina resolveu implantar um programa de qualidade de vida na agência e fez com que todos se envolvessem de forma a melhorar o ambiente de trabalho. Passou a se preocupar menos com estética e mais com seu equilíbrio interior, passou a se cobrar menos e a viver de forma mais leve. Nisso, ela ganhou um marido mais companheiro e apaixonadíssimo, filhas amorosas e bem dispostas e uma vida de sonhos.

Hoje, Regina é outra mulher. Ainda faz mil coisas ao mesmo tempo, mas consegue parar para observar a beleza da vida e consegue se concentrar sem perder o foco. A família está a cada dia mais unida e participar de retiros como aquele que a fez mudar tanto virou uma coisa boa e sempre bem-vinda. O marido continua lindo e apaixonado e às vezes a acompanha nos retiros.