Após alguns anos de expectativas, conhecimento, muito pensar e fazer, me formei. Para alguns, poderia ser a glória, mas eu não achei isso não. Perdi meu emprego, passei a ter dúvidas muito mais complexas e fiquei sem chão. Durante 5 anos (4 de faculdade e 1 de intercâmbio) fui estudante de Relações Públicas e depois desse tempo, me tornei uma desempregada. Mais uma entre os milhões de brasileiros.
Durante a faculdade, tentei esquecer que eu era maquiadora. Não sei bem o motivo, mas achava que era algo passageiro, que havia feito os cursos apenas para agradar minha mãe (que é cabelereira), que nunca seria minha profissão. Apesar de sempre ter me mantido bem com esse trabalho, não o considerava "meu" trabalho. Era mais uma diversão, uma forma de descolar uma grana para bancar os meus mimos. Tinha meus estágios, morava em outra cidade e maquiava apenas nos finais de semana em que não tinha outros compromissos. É certo que atendi pessoas maravilhosas e fiz trabalhos muito legais, mas nunca pensei em levar isso a sério. Na verdade, não tinha muita segurança também.
Pouco antes de formar soube de um garoto que estava tentando montar uma revista em BH. Público jovem, assuntos interessantes, idéias legais. Me vi empolgada com o projeto e logo me ofereceria para entrar de sócia naquela empreitada. Eis que hoje sou sócia de uma revista que será lançada em agosto e que não faço a mínima idéia de como será recebida pelo mercado. Talvez eu possa dizer que sou empresária ou invés de desempregada!
Formada, desempregada (ou empresária), fazendo mil cursos de maquiagem e pensando em ser realmente maquiadora! Quem diria... Eu que nunca havia me sentido à vontade para dizer aos outros que era maquiadora, estou totalmente disposta a me empenhar e assumir os meus quase 11 anos de atuação na área. Agora, fico pensando se isso pode dar certo. Talvez sim, uma vez que me sinto muito mais segura e disposta a tentar. Por outro lado, nunca trabalhei com isso em outro lugar que não fosse o salão da minha mãe. Vou pensar mais um pouco. Será que é isso que eu quero?
Nunca quis trabalhar com coisas tradicionais. Nunca pensei em trabalhar no departamento de comunicação de uma grande empresa, sempre quis ter liberdade, flexibilidade, criatividade. Pensei em trabalhar com marketing esportivo. Amo esportes, queria trabalhar com futebol e até cheguei a olhar um mestrado na Universidade do Porto. Acho que por enquanto isso está suspenso! É um mercado fechado, não conheço ninguém e não quero continuar desempregada por tanto tempo. Pensei em trabalhar com moda e até tentei, mas foram tentativas frustrantes. Ouvi por duas vezes que tinha os conhecimentos necessários, mas me faltava experiência. Bom, acho que se ninguém me der a oportunidade, nunca terei essa tal de experiência!
Por que não ser maquiadora? Minha mãe me fez estudar e ter essa profissão pois, segundo ela, sempre haverá demanda para pessoas que realmente entendam de beleza. Acho que minha mãe estava certa afinal, desde os 15 anos trabalho com isso e nunca fiquei sem dinheiro. Claro que ao trabalhar esporadicamente deixei de ganhar mais dinheiro, mas sei que sempre trabalhei o suficiente. Hoje o dilema é outro.
Quando me formei e passei os primeiros meses desempregada, tive que largar toda uma vida para correr atrás de outra. Voltei para a casa dos meus pais (no interior), me voltei apenas para o salão e agora preciso partir. Sei que enquanto estiver aqui, a profissão será apenas uma forma de sobreviver e não é isso o que eu quero. Preciso viver. Quero trabalhar todos os dias (ou pelo menos na maioria deles), ter minha casa, minha vida, meus amigos de volta, e tudo o que deixei para trás.
Quero ser feliz.