terça-feira, 30 de junho de 2009

Quero ser feliz...

Após alguns anos de expectativas, conhecimento, muito pensar e fazer, me formei. Para alguns, poderia ser a glória, mas eu não achei isso não. Perdi meu emprego, passei a ter dúvidas muito mais complexas e fiquei sem chão. Durante 5 anos (4 de faculdade e 1 de intercâmbio) fui estudante de Relações Públicas e depois desse tempo, me tornei uma desempregada. Mais uma entre os milhões de brasileiros.
Durante a faculdade, tentei esquecer que eu era maquiadora. Não sei bem o motivo, mas achava que era algo passageiro, que havia feito os cursos apenas para agradar minha mãe (que é cabelereira), que nunca seria minha profissão. Apesar de sempre ter me mantido bem com esse trabalho, não o considerava "meu" trabalho. Era mais uma diversão, uma forma de descolar uma grana para bancar os meus mimos. Tinha meus estágios, morava em outra cidade e maquiava apenas nos finais de semana em que não tinha outros compromissos. É certo que atendi pessoas maravilhosas e fiz trabalhos muito legais, mas nunca pensei em levar isso a sério. Na verdade, não tinha muita segurança também.
Pouco antes de formar soube de um garoto que estava tentando montar uma revista em BH. Público jovem, assuntos interessantes, idéias legais. Me vi empolgada com o projeto e logo me ofereceria para entrar de sócia naquela empreitada. Eis que hoje sou sócia de uma revista que será lançada em agosto e que não faço a mínima idéia de como será recebida pelo mercado. Talvez eu possa dizer que sou empresária ou invés de desempregada!
Formada, desempregada (ou empresária), fazendo mil cursos de maquiagem e pensando em ser realmente maquiadora! Quem diria... Eu que nunca havia me sentido à vontade para dizer aos outros que era maquiadora, estou totalmente disposta a me empenhar e assumir os meus quase 11 anos de atuação na área. Agora, fico pensando se isso pode dar certo. Talvez sim, uma vez que me sinto muito mais segura e disposta a tentar. Por outro lado, nunca trabalhei com isso em outro lugar que não fosse o salão da minha mãe. Vou pensar mais um pouco. Será que é isso que eu quero?
Nunca quis trabalhar com coisas tradicionais. Nunca pensei em trabalhar no departamento de comunicação de uma grande empresa, sempre quis ter liberdade, flexibilidade, criatividade. Pensei em trabalhar com marketing esportivo. Amo esportes, queria trabalhar com futebol e até cheguei a olhar um mestrado na Universidade do Porto. Acho que por enquanto isso está suspenso! É um mercado fechado, não conheço ninguém e não quero continuar desempregada por tanto tempo. Pensei em trabalhar com moda e até tentei, mas foram tentativas frustrantes. Ouvi por duas vezes que tinha os conhecimentos necessários, mas me faltava experiência. Bom, acho que se ninguém me der a oportunidade, nunca terei essa tal de experiência!
Por que não ser maquiadora? Minha mãe me fez estudar e ter essa profissão pois, segundo ela, sempre haverá demanda para pessoas que realmente entendam de beleza. Acho que minha mãe estava certa afinal, desde os 15 anos trabalho com isso e nunca fiquei sem dinheiro. Claro que ao trabalhar esporadicamente deixei de ganhar mais dinheiro, mas sei que sempre trabalhei o suficiente. Hoje o dilema é outro.
Quando me formei e passei os primeiros meses desempregada, tive que largar toda uma vida para correr atrás de outra. Voltei para a casa dos meus pais (no interior), me voltei apenas para o salão e agora preciso partir. Sei que enquanto estiver aqui, a profissão será apenas uma forma de sobreviver e não é isso o que eu quero. Preciso viver. Quero trabalhar todos os dias (ou pelo menos na maioria deles), ter minha casa, minha vida, meus amigos de volta, e tudo o que deixei para trás.
Quero ser feliz.

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Momentos de Decisão

Passar o dia ao lado da minha mãe. Arrumar os cabelos, maquiar-me com tempo, tomar um banho quente, me arrumar com calma. Vestido longo, sandália rasteira, carteira de festa, chamar as pessoas. Estou pronta. Podemos ir à Missa de Formatura. Ritual meio sem sentido, mas que as pessoas gostam. Agradecer a Deus, agradecer aos pais.
Ser deixada em casa, sozinha. Retoque na maquiagem, cabelos, ligar para os amigos e sair. Correr à noite pelas ruas de BH. Isso é tão bom! Já não corro, ando. Sinto a batida da cidade, me sinto parte dela, sinto alívio, paz, tranquilidade na alma. Será que foi a missa? Bar, amigos, bebidas... Ai que bom compartilhar! Conversas banais, filosóficas, uma pequena discussão, vamos para outro bar? Ficam apenas os bons! Outra rodada de cerveja. Que tal uma de tequila? A outra foi do quê? Talvez seja hora de voltar para casa. Já me formei? Acho que não... Foi só a missa.
Passar a túnica preta, comprar uma meia fina, lustrar os sapatos, escolher um vestido preto, fazer as unhas e esperar o tempo passar. O tempo passou, é hora de arrumar o vabelo, cumprir o ritual de maquiagem, entrar no vestido, calçar meias, sapatos, colocar um par de brincos, ligar para o táxi e sair. Fazer tudo sozinha... Será que as coisas deveriam ser assim? Talvez.
Auditório, amigos, sou a primeira da fila. E se eu cair? Posso errar? Ai, que vontade de sacanear! Não tem jeito. "Siga a garota do cerimonial". Não aguento mais ouvir isso. Vestir a túnica, prender a faixa, pegar o capelo. Fotos, fotos e mais fotos. Para que tantos flashes? Estou ficando cega. Não aguento mais, pode entrar? Ainda não. Mais fotos, mais fotos. Ai, agora é hora de organizar a fila. Sinto-me no primário. Fila formada e eu parada em frente aquela porta enorme do auditório. Hora de entrar. "Siga a garota do cerimonial, siga a garota do cerimonial". Ai, chegamos ao palco. Pode sentar? Ainda não. Tem que esperar todos acabarem de entrar. Agora sim, pode sentar. Mais flashes. Fala um, fala outro, tem mais um! Hora de pegar o canudo! Mentira. Tem que cumprimentar toda a mesa primeiro. Abraçar as pessoas que foram mais importantes ao longo da minha formação. Isso é bom! Mais fotos. Vou ficar cega de verdade! Tropecei na escada. Falei que as fotos iam mne cegar! Agora é só sentar e esperar todos. Ai, juramento. Nossa, que legal. Será que faremos tudo isso? Espero que sim. Agora entendi o sentido de tudo isso. Opa! Vento, chuva de papel, balão e não sei mais o quê. Ih... acabou.
Cumprimentos, fotos e mais fotos, abraços (isso é bom), perspectivas, sonhos, ilusões, cabeça longe. Agora sou uma Relações Públicas. Será que terei competência para trabalhar? Amo tanto a minha profissão que estou até aérea. Não vejo as pessoas. Elas conversam comigo e eu só consigo dizer monossílabos. Acho que quero ir embora. Abro o canudo e não há uma carta dentro. Uma carta do conselho me chamando para me filiar. Ops, sou uma nova profissional. Será que foi uma mágica?! Outro dia eu era estagiária, pouca coisa aconteceu e virei profissional. É... foi um dia especial. Pessoas, sou uma Relações Públicas! Obrigada mãe, pai, tias, irmõas, amigos. Não sei mais o que digo. Quero pensar. Briga, seguranças, convidados, fecham as portas. Ai, meu Deus! No dia da minha formatura as pessoas resolvem brigar! Ai, acho que passou. Agora as portas se abrem e as pessoas podem ir embora. Um segurança brigou com um convidado. Ainda bem que passou. Vamos embora. Minha família já ficou nervosa e a briga já está começando no nosso carro também. Ainda bem que ficarei na minha casa!
Chego em casa e o apartamento está escuro. Ai que delícia! Estou sozinha. Deito na minha cama e admiro o céu de BH. Foi um dia especial. Num passe de mágica me transformei em profissional. Tive uma noite emocionante e estou sozinha em casa. Ai, começo a entristecer. Estou sozinha pois todos saíram com as famílias para comemorar. Minha família está na estrada. Os parentes estão cansados e a cerimônia acabou tarde. E eu com isso? Quero o meu pai e a minha mãe! Não adianta. Eles já estão na estrada e só me resta perdoar. Tira o vestido, veste a calça jeans, camiseta, chinelo. Um minuto e estou na rua. Correr pela cidade? Acho que não. Vou ao McDonald's (ainda bem que é 24h). Um menu do Cheddar para levar. Volto para casa com o pacote nas mãos. Nada mais importa. Vivi tantas coisas e agora sou uma Relações Públicas.
Casa dos pais. Salão da mãe. Rituais de beleza. Higiene. Roupas. Os convites estão na mão? Está frio. Discussões de família. Stress. O relógio não para. Cadê o Vinho do Porto? Era para a formatura. Energético, vodka, gelo. A van já chegou. Todos acomodados? O baile vai começar. Flashes, flashes e mais flashes. Sorrisos. Que lugar lindo! Festa de bom gosto. As amigas chegaram. Copos, copos e mais copos.Beijo. Proibido. Briga, stress, confusão. Cada resolva o seu problema. Celebrar. Música, dança, bebida, curtição. Pai. Brigas, bebidas, humor. A noite é de festa. Todos para a pista e só me chamem quando o sol raiar. Hora de ir embora? Já amanheceu? Nem vi. Foi uma festa perfeita até nos problemas.
Bom, formei! A hora das decisões chegou. Será que formar muda alguma coisa? O emprego vai aparecer após essa semana mágica? Agora sou uma Relações Públicas. Acho que não queria ser nada. Apenas trabalhar. Ser feliz. Ter amigos. Quero ser tudo e nada ao mesmo tempo. Quero viver!